VIAGEM A PORTUGAL

de SÉRGIO TRÉFAUT | 2011, 98’, Longa metragem de ficção | prod: Sérgio Tréfaut


 

 

 

24 horas num aeroporto português. Entre todos os passageiros do seu avião, Maria, uma jovem ucraniana, é a única a ser detida e interrogada. A situação transforma-se num pesadelo quando a polícia percebe que o homem que a espera no aeroporto é senegalês. Imigração ilegal? Tráfico de seres humanos? Tudo é possível. Viagem a Portugal é inspirado numa história real.

FICHA TÉCNICA

Com Maria -  Maria de Medeiros, Inspectora - Isabel Ruth, Grego - Makena Diop, Brenda - Rebeca Close, Director da Polícia de Fronteira - João Pedro Bénard, Inspector Primeiro Dia - Pedro Pacheco, Inspector Segundo Dia - José Wallenstein , Intérprete - Mykola Chaban, Agente de viagens - Miguel Mendes, Polícia da Alfândega - António Pires, Graduado de Serviço - Nuno César, Polícia Simpático - Jorge Barros, Polícia Bruto - Miguel Figueira, Polícia de Fronteira - Nuno Milagre, Mulher Polícia - Gracinha, Polícia Grande 1 - José Sabala, Polícia Grande 2 - João Carrujo
Argumento, realização e produção Sérgio Tréfaut
Director de fotografia Edgar Moura 
Director de som Olivier Blanc 
Chefe de produção Filipe Verde 
Assistentes de realização Bruno Cabral, Maria João Matos Silva
Montagem Sérgio Tréfaut, Gonçalo Soares, Pedro Marques, Mariana Gaivão
Decoração e guarda-roupa Ana Direito
Maquilhagem e cabelos Sano de Perpessac

Financiamento ICA - Instituto do Cinema e Audiovisual, RTP - Rádiotelevisão Portuguesa, Câmara Municipal de Serpa , Câmara Municipal de Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian


A CIDADE DOS MORTOS Cartaz

ENQUADRAMENTO

Viagem a Portugal é um filme político que procura fomentar o debate a respeito do funcionamento da polícia e da sociedade civil.

Números
Em Portugal, como em toda a União Europeia, o número de pessoas que são alvo de expulsão imediata ou quase imediata (sem entrada no território) é impressionante. (estatísticas em baixo) Todos os anos este número passa desapercebido porque não se conhecem os milhares de histórias que estão por detrás de cada cifra. Para a realidade de hoje, que importância têm as expulsões em aeroportos? A imagem dos corpos de africanos mortos no mar antes de chegar à fortaleza Europa tornou-se tão banal que os interrogatórios e expulsões diárias em aeroportos parecem um assunto leve. No entanto, beneficiando da nossa indiferença, milhares de cidadãos são interrogados todos os dias à saída dos aviões. Centenas deles são recambiados para os seus países de origem. Não são criminosos; não são traficantes; a maioria têm documentos e visto de entrada. São pessoas que pagaram passagens aéreas, cujo valor representa meses de trabalho, e que por vezes são tratadas de forma violenta.

Interrogatórios
O objectivo dos interrogatórios policiais nos aeroportos é levar os viajantes munidos de um visto de turismo a admitir a possibilidade de um eventual interesse em vir a trabalhar no país. Por exemplo, em Portugal durante muitos anos foi normal que o interrogador atirasse pistas do tipo: «Sabe, agora há uma nova lei de legalização de estrangeiros, e é possível o senhor / a senhora conseguir trabalho aqui. Não tem qualquer interesse nisso?» O interrogador apresentava-se quase como um amigo, ou conselheiro. No caso de angolanos e brasileiros ingénuos, que não eram peremptórios ao negar um eventual interesse em trabalhar na Europa, eram imediatamente colocados de volta num voo de regresso, com o argumento de que teriam de pedir um visto de trabalho no seu país. Mas muitas vezes não era necessário um grande interrogatório, nem pseudo-confissões. A presunção ou os preconceitos da polícia eram suficientes. Pouco importava os familiares que estavam à espera no aeroporto. Pouco importava os viajantes que tivessem um visto de turismo válido. Pouco importava que durante anos tivessem acumulado dinheiro para fazer esta viagem.

Silêncio
Viagem a Portugal traz uma luz sobre a minúscula ponta de um iceberg: o facto de as ocorrências diárias da polícia serem remetidas para o silêncio das estatísticas. Existe uma falta de transparência no procedimento das polícias em imensas situações. Em Portugal não existe forma alguma da sociedade civil ter conhecimento real acerca da maioria dos procedimentos policiais. Nas zonas aeroportuárias é explicitamente proibida a presença de advogados, associações de protecção de imigrantes, jornalistas. Em outros países da UE, como a França, essa impunidade da polícia já não existe. A presença regular de associações em locais de interrogatório é autorizada e os relatórios de denúncia são constantes.

Exemplos
O Filme Viagem a Portugal escolhe deliberadamente uma história sem especial gravidade – água de rosas comparada com o drama de pessoas com vidas muito mais difíceis, para quem a experiência de interrogatório e expulsão terá sido muito mais traumática. Também não foca as pessoas assassinadas ou feridas pela polícia nos aeroportos do primeiro mundo (Bélgica, França, Canadá, Estados Unidos, etc). Também não foca a falta de condições das prisões aeroportuárias (assunto tratado pela imprensa portuguesa em 2005). O objectivo é mostrar que, mesmo numa situação relativamente amena, todo este processo não está isento de preconceitos de raça, de aparência, de género, de sexualidade. E que, mesmo os casos mais leves são muito amargos.

Estratégias Governamentais
Passados 15 anos sobre o início da vaga migratória para Portugal (tema de Lisboetas), é hoje claro que os governantes não souberam aproveitar e gerir de forma inteligente para o país um «brain drain» involuntário, que lhes caiu do céu. Portugal recebeu num breve período milhares de pessoas muito bem formadas em áreas específicas e desperdiçou grande parte desse capital humano, criando obstáculos pouco inteligentes. O caso da medicina é particularmente gritante. Portugal foi um país de tal forma mal administrado nas últimas duas décadas que não formou médicos em quantidade suficiente. Hoje o número de médicos não chega para satisfazer as necessidades da população e, em contrapartida, importam-se médicos colombianos. No entanto, centenas de médicos do Leste Europeu que teriam tido interesse em exercer medicina em Portugal desde meados nos anos 90 não tiveram a vida facilitada. Realidades Invisíveis Quando rodei Lisboetas, após semanas de difíceis negociações com o SEF, consegui autorização para filmar num centro de atendimento de imigrantes, em Lisboa. Regra sine qua non: estávamos proibidos de filmar os funcionários do SEF. As nossas filmagens naquele local, que deveriam durar dois dias, foram suspensas pelo departamento de comunicação do SEF ao fim de três horas. Fomos amavelmente expulsos… «porque a câmara estava a atrapalhar o bom funcionamento do serviço». Quando Lisboetas foi lançado, a direcção do SEF convidou-me para uma reunião. O objectivo era explicar-me que o SEF era uma instituição transparente. Propus então que me autorizassem a rodar um filme na zona de interrogatórios dos aeroportos. Disseram-me que iam estudar o assunto. Obviamente, nunca recebi resposta. Há realidades invisíveis. Em Portugal as instâncias de poder (governamentais, judiciais, policiais) têm pânico de ser expostas. Apesar de possuírem poucos recursos, gerem ao milímetro a sua imagem pública. Aquilo que mais temem ver revelado não são apenas os seus abusos de poder, mas a sua incompetência. Este é o fio que sustenta esta Viagem a Portugal, ficção livremente adaptada de uma história real. 


CRÍTICA

O Júri do XX Spirit of Fire International Film Festival (Khanty-Mansiysk - Sibéria) presidido pelo realizador georgiano Rezo Chkheidze atribuiu a Taiga de Ouro do Festival (primeiro prémio) à longa-metragem "Viagem a Portugal" de Sérgio Tréfaut pela sua sobriedade e pela sua modernidade. Baseado numa história real, o filme retrata com coragem e eficiência o abuso de poder e a recusa dos direitos elementares de dignidade humana pela polícia de imigração dos aeroportos.
Moritz de Hadeln

"Viagem a Portugal" é um grande filme porque desafia convenções e ao mesmo tempo conta uma história que merece ser contada. (...) É o tipo de filme – prodigioso, desafiador, diferente – de que o cinema português precisa urgentemente. Duas interpretações sublimes de Maria de Medeiros e Isabel Ruth.»
Pedro Ponte, Antecinema

«A estreia de Tréfaut nas longas-metragens de ficção não se confunde com nenhum outro filme. Tem identidade, arrojo, forma e substância. (...) Claramente com poucos meios, Tréfaut tem o bom gosto de fazer simples e belo.»
Alexandre Borges, Jornal i

«“Viagem a Portugal” é a primeira longa-metragem de ficção de Sérgio Tréfaut, cineasta com alguns dos mais marcantes documentários portugueses da última década ("Fleurette", "Lisboetas"). 
Constroi-se a partir de um caso verídico, pés assentes na realidade, tem uma ética de documentarista, mas faz-se segundo um esquema conceptual muito marcado. (...) Há uma sufocação carceral, uma instalação do absurdo, todavia sem violência animosa, tudo segundo uma série de procedimentos de inequívoca racionalidade (e,se calhar, necessidade), os membros do corpo policial estão ali a fazer o seu dever sem acrimónia e até podem ser solidários e simpáticos. Mas tudo aquilo é tão degradante da condição humana que se torna bárbaro. Na sua geometria formal, “Viagem a Portugal” tem un sentido de denúncia enérgico que nos abala.»
Jorge Leitão Ramos, Expresso – Atual

«Mantendo-se fiel aos temas centrais do seu cinema (os movimentos migratórios, o desenraizamento geográfico e afectivo), Tréfaut tem aqui o mais arrojado dos seus trabalhos.»
Vasco Baptista Marques, Expresso – Atual

«Maria de Medeiros é enorme no olhar e na forma como defende esta mulher.»
Angela Marques, Diário Económico

«Viagem a Portugal é uma obra muito bem conseguida, com um trabalho de câmara magnífico.»
André Santos, Time Out

«Tréfaut consegue concentrar o espectador naquilo que realmente interessa, que é a dimensão humana da história, muitíssimo bem transportada por uma Maria de Medeiros que não víamos com tanta garra no cinema há anos e por uma Isabel Ruth arrepiante.(...) Uma surpresa.»
Jorge Mourinha, Público 


FESTIVAIS E PRÉMIOS

PRÉMIOS E NOMEAÇÕES
TAIGA DE OURO – SPIRIT OF FIRE IFF – RÚSSIA
PRÉMIO RELLUMES GIJÓN IFF
PRÉMIO MELHOR LONGA- METRAGEM E MELHOR ATRIZ – CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS
NOMEAÇÕES GLOBOS DE OURO: MELHOR FILME E ATRIZ

FESTIVAIS
Selecção Oficial FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINE DE GIJÓN (Espanha)
Seleção Oficial LUXOR EGYPTIAN AND EUROPEAN FILM Festival
(Egipto)
Seleção oficial CAMINHOS DO CINEMA PORTUGUÊS 2011
(Portugal)
Seleção Oficial FESTIVAL DE CINEMA DO FAIAL / AZORES FILM FESTIVAL 2011
(Portugal)
Selecção Oficial INDIE LISBOA 2011
(Portugal)
Selecção Oficial ODESSA INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(Ucrânia)
Selecção Oficial FESTIVAL INTERNACIONAL DO RIO
(Brasil)
Selecção Oficial FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURITIBA
(Brasil)
Selecção Oficial FESTIVAL INTERNACIONAL DE BELÉM DO PARÁ
(Brasil)
Selecção Oficial COTTBUS INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(Alemanha)
Selecção Oficial FESTIVAL BERLINDA
(Alemanha)
Selecção Oficial SPIRIT OF FIRE DEBUT INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(Rússia)
Selecção Oficial GENEVA HUMAN RIGHTS INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(Suiça)
Selecção Oficial FESTIVAL DE DERECHOS HUMANOS DE BUENOS AIRES
(Argentina)
Selecção Oficial FESTIVAL DE DERECHOS HUMANOS DE MEXICO
(México)
Selecção Oficial DUHOK INTERNATIONAL FILM FESTIVALl
(Iraque)
Selecção Oficial KARAMA INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(Jordânia)
Selecção Oficial NANCHANG INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(China)
Selecção Oficial BEIJING INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(China)
Selecção Oficial LILLE INTERNATIONAL FILM FESTIVal
(França)
Selecção Oficial RENCONTRES DU CINÉMA DE BEAUVAIS
(França)
Selecção Oficial GWANJU INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(Coreia do Sul)
Seleção oficial DUHOK INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
(Kurdistão – Iraque)
MOSTRA DE CINEMA PORTUGUÊS NO BRASIL
(Brasil)

ESTREIAS EM PORTUGAL, POLÓNIA E CANADÁ

 

FAUX
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